Segundo, esta notícia veiculada pelo jornal Público, a Câmara Municipal de Lisboa, vai abrir um período de discussão pública para a criação de um plano para a Avenida da Liberdade, prevendo o fim do estacionamento à superfície.
(Autor: Portuguese_eyes)
Obviamente que não estarei contra qualquer plano que reduza o impacto dos automóveis e da poluição atmosférica e sonora, naquela que considero ser a "Passadeira Vermelha" de Lisboa, uma passadeira, há muitos anos, mal tratada, suja e severamente manchada por muitos disparates, no entanto, este plano, como todos os outros que vão influenciando a vida da cidade de Lisboa, não resolve o problema de fundo.
A construção de 2 parques subterrâneos, parques de superfície para moradores e alargamento de passeios para os peões, em nada vão trazer de novo e de positivo para aquela zona da cidade de Lisboa.
Repito...o problema de fundo não é resolvido...então e as pessoas...onde estão as pessoas?
Uma das lições que tirei das duas semanas que passei em Nova Iorque é que a "Big Apple" está preparada para as pessoas, para ser vivida pelas pessoas, apesar daquele caos que é globalmente conhecido, é uma cidade culturamente muito activa e com espaços públicos com imensa vida. Gosto de comparar, por exemplo, o Saldanha com o Byrant Park em Nova Iorque, no Verão, à hora de Almoço. Agora, tentem imaginar que o Saldanha, em vez de 3 grandes centros comerciais com restaurantes, seria um grande jardim, um espaço único...com muitas mesas e totalmente cheio de pessoas a almoçar naquele saboroso Verão lisboeta...pois, cenário impossível não é?
Isto para dizer que Lisboa tem que fazer reformas de fundo. Primeiro, tomar medidas de permitam trazer as pessoas para o centro da cidade e quando digo "trazer", digo, pessoas que possam viver no centro da cidade. Um cidade, sem população residente, sem pessoas é uma cidade morta e reformar uma Av. da Liberdade abandonada será uma oportunidade única de criar um projecto concertado para a cidade, por forma a ter uma população residente e activa no centro desta.
Por outro lado, no centro da avenida, mantém a "via rápida" e esquecem, por exemplo, as ciclovias ou o reforço efectivamente de transportes (algo que até poderá estar incluído no plano a ser criado).
E qual é o futuro do Parque Mayer? E o que fazer aos prédios devolutos? E os espaços comerciais inexistentes? Estes são só alguns exemplos daquilo que deveria ser incluído em todo e qualquer plano de intervenção na Av. da Liberdade.

Lembram-se do que foi feito, mais acima, no eixo, Marquês de Pombal - Fontes Pereira de Melo - Saldanha? Pois bem...já sabem o que não deve ser feito...pois estaremos a criar uma auto-estrada no centro da cidade...com separadores e rails...que eu saiba, a famosa 5ª Avenida não é assim...e tem 4 ou 5 vias e sempre com uma faixa reservada para os transportes públicos...
Não gostava de ser assim tão péssimista...mas parece-me que estamos perante uma nova oportunidade perdida...
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