Diz que a União de Comerciantes criticou a acção do El Corte Inglês, que decorreu nos dias 26 e 27 de Dezembro, acção que foi chamada de "Black Friday", uma clara inspiração na iniciativa norte-americana com o mesmo nome.

Mais uma vez, os comerciantes vêm demonstrar alguma falta de visão e estratégia. Recordo, que os comerciantes também criticaram no passado, o horário dos hipermercados e conseguiram que estes fechassem aos domingos à tarde. Passados estes anos, que ganhos tiveram os comerciantes, se estes, nem sequer abrem ao domingo (até já se discute a reabertura aos domingos)?
Devo dizer que os comerciantes deviam começar a ser alvo de críticas. É triste, passear ou atravessar a baixa lisboeta ao final de tarde de domingo e ver aquelas ruas, tristes e vazias e ali bem próximo, nos Armazéns do Chiado é evidente a vida que preenche as ruas do Chiado...e porquê? Será que os comerciantes e as respectivas associações já terão parado para pensar, porque será o Chiado, um caso de sucesso?

Não peço que façam os mesmo horários dos Centros Comerciais e Hipermercados, mas já cansa, ao fim de tantos anos, ver da parte dos comerciantes tantas críticas, pouca ou nenhuma iniciativa e pior ainda, falta de estratégia para fazer frente aos grandes espaços comerciais, porque no final, os potenciais clientes são os maiores prejudicados. Pior ainda...a curto prazo, o chamado Comércio Tradicional terá os dias contados...infelizmente!
De Hercilio a 29 de Dezembro de 2008 às 12:01
Desta vez não posso estar de acordo consigo. Já experimentou fazer as contas dos gastos fixos para abrir o comércio ao Domingo?
Do que me lembro o comércio começou por abrir apenas ao Sábado de manhã, o que já representou um esforço para os comerciantes, tendo em conta que os funcionários só podem trabalhar 40 horas semanais. Agora abre também ao Sábado á tarde, o que na minha opinião já revelou uma boa iniciativa por parte dos comerciantes. Mas para dizer a verdade, aqui na minha zona (Norte/Minho) aos Sábados á tarde não se vê assim muita gente na rua, especialmente se o tempo não ajudar, quanto mais ao Domingo.
Eu até acho que o comércio deveria estar sempre aberto como forma de combater as grandes superfícies, mas temos de ter em conta os custos versus benefícios de uma operação desse tipo.
Agora coloco uma questão: directa e indirectamente quem mantém mais postos de trabalho, não percário, em Portugal? O comércio tradicional ou as grandes superficies?
É uma pergunta á qual ainda não obtive resposta, mas que me deixa muitas vezes a pensar. Se pensarmos bem a maior parte dos produtos expostos nas grandes superfícies talvez sejam de produção internacional (o que não dá dinheiro nem postos de trabalho a Portugal), enquanto na mercearia lá do bairro, a fruta é de certeza de um agricultor português, na boutique a roupa e os sapatos são produzidos no país.
Eu sei que isto dá para muitas discussões tal como tem vindo a dar ao longo dos últimos anos mas, apesar de eu até ser um cliente frequente das grandes superficies, ainda prefiro pensar que Portugal ganha mais com o Comércio Tradicional, nem que seja pela distribuição de riqueza. Por isso prefiro colocar-me ao lado dos pequenos comerciantes, do que dos grandes que têm todas as armas e condições na mão.
Mesmo assim concordo que por vezes tanto os comerciantes como as associações comerciais do país, são demasiado inertes.
De
Phil a 29 de Dezembro de 2008 às 12:44
Sim, eu tenho consciência, que implica gastos fixos...mas eu prefiro chamar-lhe investimento.
Sim, é verdade que há limitação das horas de trabalho e por isso, teria que existir um investimento (lá está) nos recursos humanos, para cumprir a lei.
Por outro lado, como refere no comentário, o comércio tradicional poderá ser a primeira montra dos produtos nacionais. Ora se temos um comércio inerte (acho que estamos de acordo nesta questão), no cenário actual, que dividendos tiramos dessa inércia?
Também concordo com a questão da afluência. Em locais com menor fluxo populacional, se calhar não fará sentido ter um comércio com horário alargado, e por isso, devíamos ter horários definidos localmente, pelas câmaras ou outras entidades locais.
Mas pergunto...pensando no caso de Viana do Castelo...não estará o shopping de Viana cheio de gente aos sábados de tarde e domingos?
Obviamente se é criado o hábito que não abrir a determinadas horas, será complicado inverter a situação. O Chiado em Lisboa é disso exemplo. Sábado à tarde e não se pode lá andar em pleno Dezembro...será mesmo o tempo que afasta as pessoas?
Uma coisa é certa...os custos fixos podem não aumentar...mas os lucros também não e no final, repito, o resultado da inércia, pode sair caro.
De Hercilio a 30 de Dezembro de 2008 às 10:46
Concordo que a maior parte dos shoppings estão cheios, quando as pessoas deviam andar na rua, concordo que para inverter a tendência será necessário o comércio estar aberto, no entanto quanto tempo terá o comércio de estar aberto até a tendência se inverter??
É verdade que uma boa campanha de marketing, talvez fosse capaz de o conseguir num curto espaço de tempo.
Penso que é tudo uma questão de se começar a fazer algo, mas também percebo que seja difícil conseguir convencer todos os comerciantes de que a abertura ao Domingo trará benefícios (quase todos eles já fizeram a experiência). Também acho que a iniciativa deveria partir das associações comerciais e empresariais, já que um investimento conjunto traria mais beneficios que o investimento de apenas um comerciante.
Bem, uma coisa é certa, algo deveria ser feito em prol do comércio e dos produtos nacionais.
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