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    Quarta-feira, 10 de Março de 2010
    O que precisa Lisboa?

    Ano após ano, acho que Lisboa está a perder o seu encanto e está cada vez mais descaracterizada. É verdade que mantém a sua luz, mas o lado clássico e antigo de Lisboa está a desaparecer a olhos vistos e isso pode custar muito caro à cidade e será muito difícil fazer desta cidade, a minha cidade, uma grande capital europeia.

     

    Lisboa - Praço D. Pedro IV

    (Foto: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian)

     

    Então do que precisa Lisboa?

     

    Lisboa precisa de pessoas! A cidade não tem pessoas! E não estou a falar do Saldanha à hora do almoço! Estou a falar de moradores e pessoas que vivem e trabalham em Lisboa!

     

    Esse número é cada vez mais pequeno. Basta ver que o fluxo de pessoas que circula ao início e final do dia é cada maior, por causa da movimentação para os arredores da cidade, sendo que, o que se considera "arredores" vai aumentando de área, tal é o inflacionamento dos preços das casas.

     

    Em consequência disto, a cidade morre à noite e aos fins de semana. Com isso sofrem os espaços que vivem disso e acabam por não abrir à noite.

     

    Lisboa precisa de vida académica! Sim, ela existe! Mas não tem tradição, como em Coimbra, Porto e até mesmo Braga. Parece que não, mas os eventos que têm como base a tradição académica trazem vida à cidade e a pontos de referência da cidade. No fundo, continuamos no mesmo tópico...pessoas!

     

    Lisboa precisa de uma "Rua Nobre"! É aqui que começam as comparações com grandes cidades e capitais europeias e mundiais. Paris tem os Campos Elísios, Nova Iorque tem a 5ª Avenida e Lisboa tem......? Sim, a resposta mais evidente seria Av. da Liberdade. Mas infelizmente é uma avenida que se tornou num misto entre via rápida e parque de estacionamento, tendo como panos de fundo, prédios degradados.

    É verdade que, algumas das lojas mais caras, estão na Av. da Liberdade, mas quando pensam em fazer compras, vão para a Av. da Liberdade?

     

    Para além disso, faltam cafés, faltam restaurantes, faltam bares, faltam esplanadas e falta um espaço público que seja pensado para receber esses espaços. Atenção, há excepções, mas não passam disso mesmo...excepções!

     

    Lisboa precisa de comércio de rua! De uma vez por todas, as associações comerciais têm que mudar a postura e permitir aquilo que já vimos, numa escala muito pequena no Chiado. Se no Chiado é possível (acho que os resultados são visíveis), porque não alargar ao resto da cidade, nomeadamente Baixa Pombalina e Av. da Liberdade.

    Lisboa precisa de espaços e monumentos de referência! Volto às comparações. Roma tem o Coliseu, Paris tem a Torre Eifel, Nova Iorque tem a Estátua da Liberdade e Lisboa tem......? Sim, há respostas possíveis...mas é para consumo interno. Perguntem aos estrangeiros e eles não saberão responder...porque não há!

     

    Espero sinceramente que as obras no Terreiro do Paço, possam oferecer à cidade de Lisboa, a mais bela praça europeia. Mas, tenho receio do que possa sair dali.

    Lisboa precisa de um grande museu de referência! Sim, é inevitável, vamos às comparações. Paris tem o Louvre, Nova Iorque tem o Metropolitan e Lisboa tem......?

     

    Não se compreende como uma nação como Portugal, que conseguiu ter um Império e colónias, consequência das Descoberta e que ofereceu ao mundo as primeiras formas de globalização, não tenha um grande museu que honre a história de Portugal e a sua influência no mundo.

     

    Temos demasiados museus...está tudo muito disperso. Sinceramente, acho que um grande museu, num único espaço, seria o caminho a seguir.

     

    O post já vai longo (e podia ser muito mais longo). Gostaria, para terminar, em jeito de resumo, que Lisboa, precisa de recuperar o seu lado mais clássico...o seu lado mais Parisiense e juntá-lo ao seu lado mais moderno, o lado mais Nova Iorquino. É possível, desde que haja vontade política e vontade de todas as partes envolvidas.

     


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    publicado por Phil às 12:40
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    8 comentários:
    De Leonor a 10 de Março de 2010 às 14:23
    Concordo com muito do que dizes, especial na parte das pessoas.

    O centro da cidade tornou-se num mundo de escritórios, e nem é localizado numa só zona, como em Nova Iorque onde tens Wall Street , em Lisboa é por toda a parte, desde o Campo Grande à BAixa.

    É preciso revitalizar a cidade, e para o fazer, sim, é necessário trazer de volta as pessoas para a cidade, mas não é preciso olharmos para fora quando temos um óptimo exemplo em Portugal.
    Basta ver o caso de Guimarães, em que toda a Baixa da cidade foi renovada, há praças com esplanadas e em noites de verão há animação como cinema ao ar livre e as esplanadas cheias.

    Muito precisa de ser feito em Lisboa, mas enquanto os preços das casa permanecerem e não houver também incentivo ao arrendamento e até mesmo um decréscimo nas rendas, que são elevadas, será difícil.


    De Phil a 10 de Março de 2010 às 15:55
    Eu dei os exemplos mais comuns! Mas sim, felizmente há bons exemplos em Portugal, alguns deles potenciados pelo Programa Polis.

    E sim, o preço das casas é um problema...muito sério! (foi um tema que acabei por não abordar)


    De Raquel a 10 de Março de 2010 às 15:15
    A falta de pessoas em Lisboa é um problema crescente. Lembro-me que quando ainda morava na cidade em si, que já na altura era uma cidade fantasma aos fins de semana.

    Porque acontece isto?

    Porque as rendas e preços de casa dentro de Lisboa estão no patamar do absurdo. Com a média dos ordenados a ser 840 euros (dados de 2007) em Portugal, como é que o português médio consegue alugar até a porcaria de um T1 dentro da cidade se a renda é mais de metade, senão mais do que a totalidade desse valor? Mesmo para um casal que ganhe a média, é muito puxado.

    Com isto vai-se desertificando a cidade, porque quem trabalha lá, e se calhar até gostava de lá morar (uma vantagem óbvia seria o menor tempo para chegar ao trabalho e a casa), simplesmente não consegue fazê-lo e tem de optar por ir para os arredores, onde as rendas são também demasiado caras para as casas, mas que pelo menos são mais acessíveis para a carteira do comum mortal.


    De Phil a 10 de Março de 2010 às 16:00
    Pois...de facto, o lado imobilário da questão teria que surgir inevitavelmente!

    Foi uma questão que não abordei, mas é fundamental para compreender as razões que levam à desertificação de Lisboa.


    De Gonun13 a 11 de Março de 2010 às 10:49
    Olha pela positiva! Pelo menos agora tem o Red Bull Air Race! :P
    Mas de resto concordo com a tua análise. Ainda bem que o Porto não tem esses lacunas todas. O estado central bem tenta, mas vamos mantendo algumas dessas coisas.


    De Phil a 11 de Março de 2010 às 10:54
    Conto ir ao Red Bull, por causa das fotos...de resto, é-me indiferente ser no Porto ou Lisboa...não de Red Bull Air Races que Lisboa precisa!

    E porque o Porto mantém algumas dessas coisas é que eu gosto tanto do Porto! ;) (as pessoas não compreendem quando eu digo isto)


    De Dexter a 13 de Março de 2010 às 10:50
    Eu estou ordenamento do território e as diversas referências que fazes a Lisboa davam para um semestre completo só com DO e DON'T.....e infelizmente o estado actual da cidade é o resultado de anos e anos de más opções em diferentes políticas, nomeadamente do turismo e o marketing territorial (como referiste, o que marca a cidade e atraí turistas???). Por outro lado, uma solução é claramente os espaços urbanos 'mixed-used', onde os quarteirões e pequenos bairros deviam ser vividos em simultâneo como espaços residenciais, comerciais e de trabalho. As Pessoas estão lá...têm deslocações mais reduzidas para fazer e em menor tempo, em suma, vivem a cidade e a esta ganha vida à custa dela. É mto bonito, mas como o fazer? :P


    De Dexter a 13 de Março de 2010 às 10:51
    Eu estudei ordenamento do território e as diversas referências que fazes a Lisboa davam para um semestre completo só com DO e DON'T.....e infelizmente o estado actual da cidade é o resultado de anos e anos de más opções em diferentes políticas, nomeadamente do turismo e o marketing territorial (como referiste, o que marca a cidade e atraí turistas???). Por outro lado, uma solução é claramente os espaços urbanos 'mixed-used', onde os quarteirões e pequenos bairros deviam ser vividos em simultâneo como espaços residenciais, comerciais e de trabalho. As Pessoas estão lá...têm deslocações mais reduzidas para fazer e em menor tempo, em suma, vivem a cidade e a esta ganha vida à custa dela. É mto bonito, mas como o fazer? :P


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