Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Este feriado, foi dedicado a instalar a TDT para a minha avó e desde domingo estou mais próximo, claramente mais próximo da realidade da Televisão Digital Terrestre nacional.
Depois do dia de hoje, fico claramente com a ideia que a TDT é, seguramente, a maior fraude pública que este país já viu. Sim, isso mesmo...a maior fraude pública.
Para já, é preciso de desconfiar do concurso. Acabámos com uma das ofertas mais pobres a nível mundial, favorecendo claramente os serviços de subscrição como o MEO da PT ou a ZON, que acabaram por recorrer a tácticas comerciais agressivas e desonestas que lesaram e continuam a lesar os mais desatentos. A oferta resume-se aos 4 canais e a RTP, como serviço público, devia colocar no TDT, todos os seus canais, mesmo aqueles que estão presentes nos serviços de subscrição, como é o caso da RTP Informação ou a RTP Memória.
Estamos perante um processo, muito pouco claro, que não defende claramente a população, que se vê obrigada a renovar equipamentos, voltando à febre das antenas nos telhados, como eu não via desde os anos 80. Estamos em 2012 e julgava que a tecnologia associada à TDT seria avançada o suficiente para evitar essa tendência.
Nesta altura, muitos dirão: "Febre das antenas nos telhados"?? Mas ele está bem?
Sim, estou bem e consciente que muitas antenas interiores não serão suficientes. Ao contrário do que eu julgava, a qualidade do sinal de TDT pode mudar drasticamente com mudanças mínimas na antena. E quando digo mínimas, são mesmo mínimas. Seja na posição da antena, seja na direcção que esta pode tomar.
Quem me acompanha, terá a noção de que estarei mais ou menos à vontade com tecnologia. Mas este processo da TDT deu comigo em doido (e não ficou concluído). Agora, imaginem todos aqueles que não se sentem à vontade com tecnologia e estão sem saber muito bem o que fazer. Naturalmente vão recorrer a familiares que possam ajudar. Então e aqueles que não o podem fazer? Mais uma vez, muitos ganharão um bom dinheiro com esta fraude. Há receptores que deixam muito a desejar. Eventualmente e a ver pela experiência que tive, as antenas interiores podem ser um problema e a migração para a TDT, para muitas casas, poderá ter um custo que rondará seguramente entre os 60 euros e os 100 euros.
Neste caso, a Portugal Telecom, no site que criou para a TDT, devia ter criado uma lista de equipamentos "aprovados" para a TDT ou especificações que deviam ser obrigatórias nos equipamentos comercializados em Portugal. Desta forma, tínhamos acesso a uma lista normalizada, de receptores, antenas, televisores, etc.
E o que dizer das zonas que não vão ter cobertura? Não deviam aumentar o número de emissores ou o sinal dos actuais emissores não devia ser mais potente (deixo a resposta para os verdadeiros especialistas)?
Em suma, fica a ideia que todo este processo da TDT, não passou de uma negociata realizada à vista de todos, que contou com a benção da ANACOM e do Governo português, onde os grandes vencedores foram os serviços de subscrição de TV e todos os vendedores e fabricantes de equipamento, que devem estar a ter dois anos, financeiramente mais interessantes.
Depois deste post, muitos acharão que estou a exagerar, mas uma análise a frio dirá claramente que os serviços de subscrição de TV estão a tornar-se irrelevantes e tal como nos serviços móveis, o que importa são os dados, isto é, Internet e serviços on demand. Não me interessa ter 120 canais, se não tenho sequer disponibilidade para usufruir dos 4 canais. Seria mais interessante apostar em serviços exclusivamente online e on demand, que não me obrigasse da ter uma subscrição de TV.
Nos dias que correm, o mais próximo deste cenário, é ter televisão através da TDT e tudo o resto através da Internet. O player que entender esta nova forma de consumo de conteúdo estará à frente de todos os outros.