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A Austeridade, a Estónia e a Zona Euro

por Phil, em 06.06.12
Estónia

 

 

Para os defensores da austeridade, o artigo sobre a Estónia que está a correr o mundo, vem no momento certo. Mas como sempre, as palavras valem o que valem.

 

 

Em resumo, 16 meses depois de se ter juntado à Zona Euro, a economia da Estónia está num momento alto. A economia cresceu 7,6%, 5x mais do que a média da zona Euro. Mas melhor ainda...a sua dívida pública está nos 6% do PIB, contra os 81% da Alemanha (lembram-se do exemplo que pretende ser?) ou os 165% da Grécia.

 

 

Todos estes números, foram à custa da austeridade. Austeridade foi a palavra de ordem e os resultados estão à vista, certo?

 

 

Mais ou menos. A austeridade pela austeridade só dará reais resultados se o esforço for efectivamente partilhado por todos e de forma solidária e isso passa e muito por uma questão cultural.

 

 

Uma sociedade com influência nórdica, é claramente diferente (não estou a dizer que é melhor), culturalmente das sociedades do sul da Europa. Esse é o problema, em grande medida, de Portugal, ou seja, as mesmas medidas de austeridade, podem dar resultados diferentes. Nós observamos que as medidas de austeridade, incidem sobretudo do lado da receita e acabamos por verificar que essas medidas não resultam, por consequência da redução abrupta do consumo. Por outro lado, não se aposta verdadeiramente nos cortes da despesa. Sim, houve medidas, mas sem relevância e impacto.

 

 

Resultado: estamos com uma economia com uma contracção na ordem dos 2%.

 

 

Não se aposta em medidas de estímulo à economia, os resultados das receitas fiscais para o primeiro trimestre deixam muito a desejar e o resto da Europa, sobretudo na Grécia e agora também a banca espanhola estão pela hora da morte.

 

 

Então voltamos ao início do post e fazemos a seguinte questão: Se resultou com a Estónia, porque não resulta com outros países europeus?

 

 

Ainda ontem, discutia ao almoço, as áreas onde Portugal podia e devia apostar. De forma recorrente, Portugal evoca as conquistas realizadas nos Descobrimentos, para demonstrar a força que já teve no passado. Na realidade, parece-me que a resposta para o futuro de Portugal, está precisamente no seu passado, mas insistimos em destruir o que resta desse passado.

 

 

Tal como no passado, o posicionamento geográfico de Portugal devia estar a nosso favor. Estamos no centro no Mundo. Literalmente. Temos um país rico em história. Cidades antigas, com um património histórico inegável. Temos tradição marítima, temos imenso potencial tecnológico e com capacidade de adopção de novas plataformas digitais.

 

 

Assim, de repente, vejo 3 grandes áreas, que Portugal devia apostar verdadeiramente e tal como a Estónia, Portugal deve facilitar e simplificar a criação de empresas e empregos nessas áreas.

 

 

Falo naturalmente do Turismo, do Mar (grandes portos, estaleiros e provas de competição) e da Tecnologia.

 

 

Mas verificamos que Portugal só canalizou o seu esforço na tecnologia, mas perdeu-se no resto e mesmo na tecnologia, havia muito para dizer. Dirão que estarei a exagerar, no que diz respeito ao Turismo, mas se calhar não estou. Quando vejo uma cidade de Lisboa, cada mais descaracterizada, em que tudo o que é antigo é destruído e substituído por algo novo e de gosto duvidoso, é difícil acreditar que o património histórico possa ser apelativo para os turistas que nos visitam. Aos poucos, a cidade vai perdendo o seu principal foco de interesse e garanto-vos que não será o Fado a salvar a honra do convento.

 

 

Mas não só. Portugal não é só Lisboa e Algarve. Portugal é muito mais do que isso e lamento que o "Vá para fora cá dentro" tenha morrido. De qualquer forma, a extinção das SCUTs está a fazer o resto.

 

 

E do que dizer do Mar? Estamos, como referi, no centro do Mundo. Temos condições para ter um dos maiores Portos do mundo, para que se tornasse um verdadeiro hub Atlântico-Europa, na entrada e saída de mercadorias. Mas depois temos o problema dos acessos e vias de comunicação, com o resto da Europa. Sim, estou a falar novamente nos custos das ex-SCUTs, AEs e linhas de comboio insuficientes.

 

 

Então e o que dizer dos Estaleiros? Portugal podia ser uma referência mundial na construção e reparação de embarcações marítimas. Não só, não apostou nessa área, como está a deixar morrer os Estaleiros de Viana do Castelo.

 

 

Mas quando se fala da America's Cup ou da Volvo Ocean Race, a postura em relação ao Mar, muda completamente. Mas, a aposta no Mar, na perspectiva lazer, não chega. É manifestamente insuficiente.

 

 

Chegamos finalmente à tecnologia. Portugal tem todas as condições para se tornar num país que pode e deve apostar em startups, em empresas de pequena/média dimensão. Temos recursos. Estamos bem fornecidos de vias de comunicação digital e um custo acessível e somos um país que tem uma tendência para apostar em conceitos tecnológicos inovadores (apesar da TDT, mas isso é outra questão).

 

 

Em suma, Portugal tem recursos, tem talento, tem qualificação. Escuso de dizer quem são os grandes responsáveis da situação a que chegámos. Pede-se aos jovens para não desistir. Para apostar nas oportunidades que surgem, mesmo que seja no estrangeiro. Mas não podemos esperar que as oportunidades chegam de fora. Nós, Portugal, os políticos têm que criar condições para que haja uma escolha. O caminho que estamos a levar é um caminho sem escolha. Se eu tiver escolha, prefiro Portugal.

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publicado às 14:38





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