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Será mesmo que este país está mesmo condenado?
Por muito positivo que se tente ser, é impossível não ficar indiferente a notícias como estas:
- Tribunal Constitucional considera ilegal retirada de subsídios de férias e Natal a funcionários públicos
- Miguel Relvas fez licenciatura num ano
- Falências a um ritmo de 53 por dia, particulares são os mais afectados
- Governo pagou 2,3 ME em dívida relativos a partos em Badajoz
- Número de nascimentos poderá ser o mais baixo desde que há registos
- Médicos podem ser contratados a dois ou três euros à hora
- Mercado automóvel português com o pior mês de Junho desde a liberalização
- Portagens provocam quebra de 45 por cento no tráfego das antigas SCUT
Claramente, este não é o clipping que está a ser feito por alguém que tem responsabilidade neste país. Estes são só alguns títulos que demonstram o estado a que chegámos.
Somos o país que permite que certos indivíduos concluam as suas licenciaturas num domingo ou num ano.
Somos o país que não dá condições para a maternidade, seja por motivos sociais, económicos ou simplesmente porque encerra estabelecimentos de saúde, mas depois paga 2,3 milhões de euros às autoridades espanholas pelos nascimentos que não são realizados no nosso país.
E por falar em nascimentos, chegamos a 2012 com o número de nascimentos mais baixo desde que há registos, mas que também abandona o mais velhos, isolados ou em lares ilegais. O interior que já estava desertificado, fica de vez, condenado.
Somos o país que contrata ao preço da uva mijona (desculpem-me a expressão), com a expectativa de aumentar a produtividade e os resultados das empresas. Impressionante, como raramente se atinge os objectivos esperados. As previsões e os estudos estão consecutivamente errados. Mas continuamos a pagar milhões por eles.
Somos o país que adoptou a troika e a austeridade. Conseguiram destruir a economia, o consumo, o poder produtivo que o país, praticamente, já não tinha. Numa espiral imparável, com mais impostos e salários mais baixos. Com menos consumo e menos receitas, estão criadas as condições para contaminar a economia. Não há consumo. Não há receitas. Não há retalho. Não há revenda. Não há produção. Fecham lojas, fábricas. Aumenta o desemprego para números preocupantes e a burocracia e o país não oferecem alternativas.
Somos o país que construiu estradas e auto-estradas e sem portagens, elaborou estudos para a construção de um novo aeroporto internacional e comboio de alta velocidade. Agora o país paga duas vezes, porque não se utilizam essas auto-estradas e não se construiu o aeroporto e o comboio.
Quero continuar a acreditar que temos um país fantástico. Mas assim, fica um pouco complicado, não? Se calhar está na hora de ter pessoas realmente competentes à frente do país e isso implica, naturalmente que não seja feito por políticos, porque esses já demonstraram do que não são capazes de fazer.