Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



16.09.14

Depois dos Prós e Contras #PL118 / #PL246

Depois dos Prós e Contras #PL118 / #PL246

 

Obviamente, depois de concluído o Prós e Contras de hoje, é impossível não publicar um post de reacção ao programa, com as principais notas que ficam do debate sobre a revisão da Lei da Cópia Privada.


Como seria de esperar, foi um debate intenso e com acusações injustas. Mas vamos directamente às notas principais, que destaco do debate:

 

- Os "autores" e os representantes das entidades dos autores continuam sem compreender o problema fundamental.

 

- Fica mesmo a ideia que os "autores" não concordam com a existência da Lei da Cópia Privada. Como existe um normativo europeu, então que se cobre de forma transversal e sem distinção.

 

- Para ter a aprovação popular, os "autores" apontam baterias para o retalho e para os representantes da indústria tecnológica, neste caso, na pessoa de José Valverde, representante da AGEFE e que esteve presente no debate. Os "autores" alegam que deviam ser essas entidades a assumir o custo das novas taxas.

 

- Os "autores" não estão dispostos a cobrar na aquisição, mas sim na utilização do "conteúdo". Bem conveniente esta separação... porque é possível contabilizar as vezes que compramos uma música...mas ninguém consegue contabilizar quantas cópias ou leituras fazemos (até nisto os autores são limitados, porque é possível contabilizar esse número, nos serviços de streaming). Resolve-se a questão cobrando nos equipamentos. O João David Nunes foi claro numa resposta: "O autor não é remunerado na compra." Se calhar respondeu ao problema.

 

- O debate, mais uma vez, centrou-se na música, quando temos outros meios envolvidos (livros, filmes, etc). É verdade que estão representados pelas entidades presentes no debate, mas individualmente só vi músicos e um ou outro escritor. Curiosidade ou não... o autor mais novo que esteve presente, foi o Miguel Ângelo e isso explica muito do que se passa neste mundo da intermediação autoral. Onde estão os autores da geração Kindle e Spotify?

 

- Também ficou clara, a ideia que a representação individual e livre incomoda muita gente, fosse com a presença no programa ou através das redes sociais e blogs. 

 

- Foi interessante ver a "esquerda caviar" (adoro esta expressão) a defender com unhas e dentes, um novo imposto. A mesma "esquerda caviar" também se incomoda muito com a representação individual e livre. Parece que Abril para essa gente, só serviu de inspiração criativa. Hoje, não existem.

 

- Faltou bom senso aos "Prós". Especialmente a David Ferreira. Qual Octávio Machado, levantou a questão do Cartel. Eu diria que o Cartel está na intermediação que é feita pelas SPAs desta vida. Infelizmente não vi essa questão ser debatida. Ou seja, não estaria na altura de rever a posição e as percentagens que são recebidas e geridas por estas entidades? Se calhar está na altura dessas entidades abdicarem da sua parte ou não? Claro que os autores ficariam com esses montantes.

 

- Se calhar, o projecto de revisão da Lei dos Direitos de Autor terá esse objectivo e por isso, a SPA e a Secretária de Estado da Cultura já não estão em sintonia, como no caso da Lei da Cópia Privada.

 

 

Em jeito de conclusão, eu diria que as perspectivas não são boas e resta à Assembleia da República tomar a decisão correcta e para isso, ainda temos uma petição a decorrer e que já ultrapassou as 1.200 assinaturas. Se este debate provou é que é preciso travar este projecto de Lei. Mas como foi sugerido pelo Rui Lourenço durante o debate, também é preciso repensar a questão, para que os autores recebam o que lhes é devido. Ninguém tem dúvidas sobre isso.

 

Por isso, é ler, assinar (se concordarem) e divulgar. Divulgar o mais possível.

 

Não esquecer que é necessário confirmar a assinatura, através do mail que é enviado pela plataforma de petições.

 

 

Uma última nota de agradecimento à Maria João Nogueira, ao Rui Lourenço, ao Rui Seabra e ao José Valverde, pela representação que fizeram de todos aqueles que não são autores e serão afectados pela alteração desta lei. Será que isto esclarece a questão a representatividade? Ou o 25 de Abril não chegou?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

15.09.14

Petição contra a Lei da Cópia Privada #PL118 / #PL246

Petição contra a Lei da Cópia Privada #PL118 / #PL246

 

Em noite de Prós e Contras dedicado à revisão da Lei da Cópia Privada, é dia para destacar a criação de uma nova petição.


A votação deste novo projecto de lei ocorrerá no próximo dia 17 de Setembro, na Assembleia da República e hoje, dia 15 de Setembro, o programa Prós e Contras será dedicado ao tema do momento.

 

O tempo é escasso, mas nunca é tarde para agir. Por isso e mais uma vez vos peço para assinar a Petição para Impedir a aprovação da proposta de lei n° 246/XII, da Cópia Privada.

 

É ler, assinar (se concordarem) e divulgar. Divulgar o mais possível, porque o tempo, escasseia.

 

Não esquecer que é necessário confirmar a assinatura, através do mail que é enviado pela plataforma de petições.

 

Em Março de 2012, o Projecto de Lei original foi cancelado pelo PS e na altura, a petição que foi criada na altura, conseguiu mais de 8.500 assinaturas e foi fundamental na pressão exercida sobre os partidos com representação na Assembleia da República.

Autoria e outros dados (tags, etc)

13.09.14

A Matemática do Copyright #PL118 #PL246

A Matemática do Copyright #PL118 #PL246

 

Na tranquilidade do mês de Agosto, o Governo português tomou a iniciativa de aprovar em Conselho de Ministros, a revisão da Lei da Cópia Privada. Esta nova revisão seria uma evolução do projecto de lei nº. 118, sendo agora conhecido como projecto de lei nº. 246.


A votação deste novo projecto de lei ocorrerá no próximo dia 17 de Setembro, na Assembleia da República, sendo que, o próximo Prós e Contras será dedicado a este tema, que tanta polémica tem gerado, especialmente na web e nas redes sociais.

 

O que me fez escrever finalmente sobre este tema (porque até aqui, outros bloggers o têm feito de forma brilhante, como é o caso da Jonas), foi o mais recente comunicado da AGEFE - Associação Empresarial dos Sectores Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico, Electrónico, que resume e bem, o sentimento geral de quem está contra este revisão da Lei da Cópia Privada e cuja transcrição eu aqui deixo:

 

 

ALGUMAS COISAS QUE TALVEZ NÃO SAIBA SOBRE A LEI DA CÓPIA PRIVADA

 

A AGEFE - Associação Empresarial dos Sectores Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico, Electrónico, vem informar os decisores políticos e a opinião pública portuguesa, sobre as consequências que terá uma eventual aprovação da alteração à Lei da Cópia Privada, proposta pelo Governo, por iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura, e que a Assembleia da República vai votar na próxima quarta-feira, dia 17 de Setembro.

 

- A aprovação desta lei vai sobrecarregar a economia e os contribuintes com um imposto encapotado, a pretexto da compensação por um alegado prejuízo aos detentores de direitos, que até à data ninguém foi capaz de demonstrar.

 

- Um consumidor que compre um telemóvel, e que não tenha ou nunca venha a ter, cópias de músicas ou de outros conteúdos protegidos por direito de autor no seu aparelho, terá de pagar até mais 18,45€ (taxa máxima IVA a 23%) pelo mesmo equipamento. Da mesma forma, quem comprar música em formato electrónico para o seu telemóvel ou subscreva um serviço de streaming, irá pagar direitos de autor em duplicado, ou mesmo em triplicado se utilizar adicionalmente um cartão de memória, que também será taxado.

 

- Qualquer contrato de televisão por subscrição que inclua uma set-top box passa a implicar o pagamento de uma taxa, a título de direitos de autor, apesar de estes direitos já terem sido contemplados  no serviço contratado. Mais uma vez, os consumidores vão ser duplamente taxados.

 

- Também as empresas e o próprio Estado vão ver os seus custos aumentados nas aquisições de produtos tecnológicos, tais como computadores, tablets, telemóveis ou impressores, havendo múltipla taxação para o mesmo fim, sem que haja a mínima evidência de que vá ser reproduzida qualquer obra protegida.

 

- Tal como aponta o jurista António Vitorino no Relatório que apresentou à Comissão Europeia em 2013, a pedido desta, as cópias feitas pelos consumidores para uso privado no contexto dos serviços online licenciados pelos detentores dos direitos não causam qualquer prejuízo aos autores, pelo que não justificam qualquer remuneração adicional sob a forma de taxas aplicadas aos equipamentos. O Senhor Secretário de Estado da Cultura comprometeu-se a apresentar uma proposta de alteração legislativa à luz das recomendações feitas neste documento, o que não aconteceu, bem pelo contrário.

 

É ainda de lamentar a falta de oportunidade desta Lei. De facto,

 

- É incompreensível que o Senhor Secretário de Estado da Cultura tenha ignorado totalmente as conclusões do Relatório de António Vitorino, bem como o compromisso do recém-eleito Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, de modernizar nos seus primeiros seis meses de mandato, o quadro legislativo europeu sobre esta matéria, pelo que o momento escolhido para alterar a Lei em Portugal não podia ser mais desadequado.

 

- Carece de sentido que Portugal venha a adoptar uma Lei que replica a legislação que foi revogada em Espanha há quase dois anos por ter sido considerada desadequada face à realidade actual.

 

- Aquando a recente aprovação pelo Parlamento do Reino Unido, da reforma da Lei da Propriedade Intelectual, que introduziu o direito à cópia privada sem estabelecer qualquer taxa, a responsável governamental pela medida, Lucy Neville-Rolfe, declarou: "O governo não acredita que os consumidores britânicos tolerassem taxas pela cópia privada. São ineficientes, burocráticas e injustas, bem como penalizadoras dos cidadãos que já pagam pelos conteúdos."

 

- A alteração legislativa agora proposta não só não resolve um problema, como vai criar outros, a começar pelos efeitos extremamente negativos na economia. Vai aumentar o custo do acesso a produtos tecnológicos e travar o desenvolvimento da economia digital em Portugal, sem qualquer garantia de que o dinheiro resultante das taxas realmente chegue àqueles a quem alegadamente se destinaria e não se perde nas várias entidades encarregues de fazer a gestão e distribuição destas verbas.

 

Perante todos estes factos, a AGEFE apela às Senhoras e aos Senhores Deputados da Assembleia da República para que não aprovem a proposta de alteração da Lei da Cópia Privada, que ultrapassa em muito o âmbito dos políticas públicas para a área da Cultura, com evidente destruição de valor económico.

 

A adopção desta nova Lei da Cópia Privada, que é desadequada e injusta, seria mais um contributo para a perda de competividade das empresas portuguesas e para o incremento das compras ao exterior sem qualquer valor acrescentado nacional, bem como para a redução de receitas, directas e indirectas, do próprio Estado, colocando em risco empregos em Portugal.

 

 

A Direcção da AGEFE

 

Lisboa, 13 de Setembro de 2014

 

 

É impossível não me rever neste posição da AGEFE. Mas esta revisão da Lei da Cópia Privada tem mais problemas e questões que merecem ser discutidas e revistas.

 

Apesar da Lei da Cópia Privada nada ter a ver com a pirataria, os seus defensores insistem em misturar os temas. E porquê? Porque cheira a pirataria em toda a proposta, em virtudade da incompetência de quem tinha a obrigação de tomar medidas sobre esse tema. Qual é a solução mais simples? A mais óbvia. Agarrar numa lei existente, sobretaxá-la e com a chamada "Matemática do Copyright", garantir mais alguns milhões para as entidades que alegadamente representam os autores e artistas, quando o problema passa pelo facto, destas entidades não conseguirem garantir com eficácia, o seu papel, uma vez que os autores e artistas são os primeiros a queixar-se sobre os valores e montantes que não recebem ou que têm em atraso.

 

Já em 2012, eu revelava aqui no blog, os números reais de um pagamento a um pequeno autor pelas vendas do seu livro. Para memória futura, deixo novamente esses cálculos.

 

Estamos a falar de um livro que tem o valor unitário de 14,19€ (preço s/IVA) e no ano de 2011 foram vendidas 82 unidades (curiosidade: o livro já não é novo) e gerou em vendas, 716,28€. Considerando os escalões da taxa de direitos de autor, o valor será sujeito a uma taxação de 5,00% sobre o valor de total de vendas. Neste caso, o valor apurado é de 35,84€. Sobre o valor apurado incide uma percentagem do autor sobre os direitos apurados de 12,50%. Ou seja, no total, o autor receberá apenas 4,48€.

 

 

Para que não haja dúvidas, aqui fica a declaração, com a eliminação dos dados da obra e do autor em causa, por motivos óbvios (para quem quiser ver numa dimensão legível, bastará clicar na imagem).

 

Declaração de Direitos de Autor

 

 

Em suma, de um volume de vendas de 716,28€, o autor recebeu apenas 4,48€. Em todo este processo, vi ou senti vontade por parte das entidades que representam os autores, em rever estas percentagens. É fácil fazer as contas... se as taxas cobradas ao consumidor aumentam e as percentagens atribuídas aos autores se mantém, é escusado dizer que são as entidades e pessoas que vão facturar e muito com esta revisão da Lei.
A SPA poderá fazer as FAQs que quiser (mesmo copiadas), que nunca conseguirá explicar e justificar tudo que foi referido neste post ou no comunicado da AGEFE.
E para terminar... e porque o nome deste post não é inocente, não posso deixar de publicar o vídeo de Rob Reid, quando ele expôs a "Matemática do Copyright" numa TED Talk e que têm tudo a ver com as contas que são apresentadas pelas entidades que alegamente representam a indústria e os artistas.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

10.09.14

Burning Man

Burning Man

 

Nas últimas semanas, nunca como este ano, ouvi falar de um tal "Burning Man", um evento que estaria a ocorrer algures nos EUA. Mas porque raio nunca tinha ouvido falar deste evento?


De facto, nunca tinha ouvido falar deste evento. Mas este ano, eventualmente pela forte adesão da comunidade tech, todos os dias ouvia alguém fazer alguma referência ao "Burning Man". Pelo menos, assim acontecia nos podcasts que habitualmente acompanho.

 

 

Para quem ainda não conhece, "Burning Man" é um evento anual que decorre durante uma semana, no Black Rock Desert no norte do estado norte-americano do Nevada. O evento começa na última 2ª feira de Agosto e termina na primeira 2ª feira de Setembro, coincidindo com o feriado americano "Labor Day".

 

O ponto alto ocorre com o ritual de queimar uma estátua gigante de madeira, que ocorre no final do dia de sábado.

 

 

O evento/festival é marcado pelas instalações de arte e pela presença das mais diversas comunidades. Uma dessas comunidade é a comunidade tech, claro e a fotográfica, que é de alguma forma liderada pelo Trey Ratcliff, um fantástico fotógrafo que tenho acompanhado nos últimos anos, um norte-americano que decidiu ir viver para a Nova Zelândia e a partir de lá, realiza workshops, viagens e faz questão de marcar presença no "Burning Man" e realizar um photowalk no recinto do evento, o que permite que ele consiga captar algumas das mais fantásticas fotos que podemos apreciar.

 

Burning Man

 

O cabeçalho do blog e as imagens que ilustram este post, fazem parte desse portfolio da autoria do Trey Ratcliff. Mas o melhor é mesmo descobrir o seu trabalho no SmugMug.

Autoria e outros dados (tags, etc)

06.02.14

Comic Con Portugal

Comic Con Portugal

 

A Comic Con é uma marca fortíssima no mercado norte-americano. Trata-se de uma convenção de cultura popular, com foco em temas como banda desenhada, anime, manga, jogos, cinema, cosplay e filmes. Em Dezembro chega a Portugal.

 

Foi com alguma surpresa que descobri hoje, através do Biovolts.com, que a Comic Con chegará a Portugal em Dezembro de 2014, mais concretamente nos dias 5, 6 e 7 de Dezembro na Exponor, em Matosinhos.

 

Em relação à realização deste tipo de eventos, fico sempre apreensivo quando são organizados em Portugal. A forma de estar dos portugueses está muito distante (acreditem...apesar a influência anglo-saxónica) da forma de estar dos norte-americanos, que são entusiastas com tudo o que tenha a ver com a "Cultura Pop".

 

Para além disso, estes eventos acabam por não ter continuidade, uma vez que, a organização dos primeiros eventos deixam muito a desejar e as expectativas acabam por não ser cumpridas.

 

Por isso, gostaria de ver finalmente, um evento destes a ter sucesso e espero que a marca "Comic Con" possa dar um forte contributo para que isso aconteça.

 

Para mais informações passem pelo Facebook da Comic Con Portugal ou estejam atentos ao comic-con-portugal.com.

Autoria e outros dados (tags, etc)

25.09.13

A Season continua silly...

A Season continua silly...


Segundo a Exame Informática, até ao final do ano, vai dar entrada no Tribunal da Propriedade Intelectual (TPI) uma providência cautelar com o objectivo de obrigar os operadores de telecomunicações e ISP a aplicarem filtros que impedem o acesso aos maiores sites de pirataria a partir de Portugal.

Mais uma vez, os senhores da FEVIP, GEDIPE e MAPINET assumem publicamente a sua profunda limitação intelectual, para não lhe chamar outra coisa. Infelizmente, estas entidades insistem em perder tempo com o acessório e irrelevante, quando podiam canalizar todo este esforço para criar novos modelos de negócio. Já pensaram em contactar empresas como o Netflix para operar em Portugal? Ah, espera...eles não fazem a mínima ideia o que é o Netflix.

Mas a situação é mais grave e por mim falo. Eu disponho de um tarifário no MEO, que me oferece mensalmente 10 euros no Videoclube do mesmo operador. Para além de desconhecer que tinha acesso a esse desconto, na altura em que subscrevi o tarifário (foi através de um protocolo), nunca usufrui do mesmo. Nunca. O valor do desconto seria suficiente para o volume de filmes que consumo todos os meses. No entanto, nunca recorri ao serviço e prefiro consumir esses conteúdos por outra via.

Mas a notícia da Exame Informática está cheia de disparates, da autoria de um tal de Paulo Santos, que prevê a entrega da providência cautelar até ao final de 2013. Olho para estes prazos e penso logo que os tribunais e a internet não funcionam à mesma velocidade e quando a decisão for tomada, eventualmente já terá que ser revista. Ou seja, seja qual for a decisão, a mesma nunca será eficaz.

Paulo Santos parte ainda de outro pressuposto, que é errado e perigoso. Segundo ele, "a filtragem de conteúdos já demonstrou ser eficaz no estrangeiro", porque segundo a mesma notícia, a filtragem de sites piratas e pornográficos já está a ser aplicada (é dado o exemplo do Reino Unido). A realidade, onde estes senhores não vivem, não nos diz exactamente isso. Estas medidas simplesmente colocam a questão do acesso livre a conteúdos e da liberdade que possamos ter na rede. Mas este senhor, refere ainda que "Hoje, os operadores de telecomunicações e os ISP usam filtros similares para impedirem o acesso a sites com conteúdos pedófilos ou que promovem a violência ou o racismo." Portanto, o senhor Paulo Santos, quer combater a chamada "pirataria" com recurso a uma medida criada para pedófilos. Estou impressionado que nenhum destes senhores não se tenha lembrado de dar outros exemplos...esses sim, verdadeiramente eficazes (do ponto de vista destas entidades), como a China ou a Coreia do Norte.

Paulo Santos também refere que a medida pode ser "desconfortável para os ISP". Desconfortável? É passar para terceiros, o trabalho sujo. Seria interessante que os ISPs apresentassem um pedido, que fosse contra esta providência cautelar, nem que servisse para explicar que todas estas medidas são absolutamente irrelevantes e improcedentes.

Termino este post, com a tradução de um tweet do fundador do antigo Megaupload (agora, Mega), Kim Dotcom:

 


Como parar a pirataria:
1. Criar conteúdos com qualidade
2. Facilitar a sua aquisição
3. Lançamento global no mesmo dia
4. Funciona em qualquer dispositivo
5. A um Preço justo

Autoria e outros dados (tags, etc)

11.08.13

Arco de Luz

Arco de Luz

 

O Arco do Triunfo da Rua Augusta (como também é conhecido) foi alvo de uma obra de restauro, onde se destaca a abertura de um miradouro, sobre o Terreiro do Paço e a Baixa Pombalina. Para marcar esta inauguração, foi criado um espectáculo multimédia - "Arco de Luz".

 

Os artistas Nuno Maya e Carole Purnelle do ateliê ocubo.com trazem-nos uma componente interactiva que permite o público pintar o Arco da Rua Augusta com cores e padrões das várias épocas históricas, criando originais pinturas de luz que serão colocadas no site internet www.pinturasdeluz.com para partilhar com o mundo.

 

O espectáculo é uma viagem no tempo em que começaomos por ver a construção do Arco, com a ajuda de gruas virtuais, onde se destacam as esculturas que representam ilustres personagens da história de Portugal, que vão ganhar vida e mostrar-nos os episódios mais marcantes das suas viadas, através de espectaculares efeitos especiais adaptados à fachada Norte do Terreiro do Paço com técnicas de Video Mapping 3D.

 

O Viriato vai lutar contra os Romanos no Século II a.C., Dom Nuno Álvares Pereira vai combater os Castelhanos na famosa batalha de Aljubarrota em 1385, Vasco da Gama leva-nos pelos mares a caminho da Índia no final do Século XV numa nau do tamanho da fachada e o Marquês de Pombal vai reconstruir Lisboa, depois de assistirmos ao estrondoso tremor de Terra de 1755 e os seus grandes incêndios que destroem o edifício em frente dos nossos olhos.

 

Destaque ainda para as esculturas de Célestin Anatole Calmels representam a Glória, coroando o Génio e o Valor e que terminam o espectáculo mostrando as principais figuras de Portugal.


O espectáculo pode ser visto todos os dias às 21:30, 22:30 e 23:30 até ao dia 18 de Agosto. Para quem está de férias ou não está em Lisboa ou vive fora de Portugal e não terá oportunidade de ver o evento, pode ver o vídeo que se segue. Ainda assim, no vídeo, perde-se a dimensão do espectáculo e o efeito 3D oferecido pelo próprio edifício. Por isso, se tiverem oportunidade, nem deixem de passar pelo Terreiro do Paço, até ao dia 18 de Agosto.

 

 

 

Curiosidade: Com o restauro, destaca-se o texto inscrito no topo do arco e que é uma evocação à grandiosidade portuguesa aquando dos descobrimentos e à descoberta de novos povos e culturas.

 

VIRTVTIBVS MAIORVM VT SIT OMNIBVS DOCVMENTO.PPD

“Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas”

Autoria e outros dados (tags, etc)

20.05.13

MEO Arena

MEO Arena

 

Na semana passada, a Portugal Telecom anunciou que tinha garantido os "naming rights" do Pavilhão Atlântico, passando-se a chamar MEO Arena, na linha do que já é feito há muitos anos, na Europa e nos EUA e em alguns estádios em Portugal, como são os casos do Estádio EFAPEL Cidade de Coimbra ou do Estádio AXA em Braga.

 

No entanto, não foi possível ignorar as críticas que surgiram em torno desta decisão, que me parece perfeitamente lógica e mesmo desconhecendo os contornos do negócio, podem eventualmente, garantir a viabilização financeira do projecto agora liderado pelo consórcio de Luíz Montez.

 

Não querendo a abordar a questão do processo de aquisição do Pavilhão Atlântico, não posso deixar de elogiar a primeira grande decisão do consórcio, em ceder os "naming rights", neste caso, para uma marca, que nos últimos anos, se posicionou na área da cultura, em especial da música, com os festivais de verão ou eventos um pouco mais pequenos como o Outjazz, por exemplo. E não só...estamos a falar de uma empresa portuguesa e de uma marca portuguesa. Ou seja, apesar da cedência de direitos do nome, conseguimos que esses direitos ficassem com uma marca portuguesa e como sabemos, não é uma marca qualquer.

 

Com uma rápida pesquisa pela web, percebemos que a principal crítica prende-se pelo facto, do Pavilhão Atlântico mudar de nome. Simplesmente isto. Mas como alguns apontaram... o Terreiro do Paço passou a chamar-se Praça do Comércio e a praça continua a ser conhecida como Terreiro do Paço e até o próprio Parque das Nações, continua a ser carinhosamente conhecido como Expo. Portanto, não há nada que impeça de identificar a MEO Arena, como Pavilhão Atlântico. De resto, como é referido no comunicado da PT, "do espetáculo “Heranças e Utopias”, realizado ao longo de toda a EXPO’98, este espaço herdou a capacidade de através dos seus espetáculos fazer sonhar e concretizar sonhos."

 

Curiosa, esta frase, quando eu já tinha o hábito de lhe chamar o nosso Palco dos Sonhos.

 

E para que não haja dúvidas, deixo-vos com um link para a lista das arenas e pavilhões do mundo e no caso da Europa e EUA, percebem rapidamente, qual é o padrão ou tendência, no que diz respeito a "naming rights".

Autoria e outros dados (tags, etc)

24.08.12

Portugal 1143-2012

Portugal 1143-2012

 

 

Numa breve passagem pelo Facebook, descobri o movimento ± maismenos ±, que tem estado com uma presença polémica na Capital Europeia da Cultura em Guimarães.

 

 

Recordo-me, há uns anos, de um qualquer cantor ter feito uma versão do Hino Nacional. Sinceramente, já não me recordo do tipo de versão que foi feito e quem seria o artista. Mas recordo-me bem das críticas inflamadas que surgiram na altura. Hoje, a mesma situação, não teria o mesmo impacto.

 

 

Desta vez, nada. A passividade total. E atenção...não estou aqui a colocar em causa a nova versão do Hino ou todas as iniciativas que serão criadas pelo movimento ± maismenos ±. Acho muito bem que o façam e logo, onde nasceu Portugal. O que me impressiona mesmo é a passividade e o estado em coma que o país se encontra, pela reacção que isto não provocou. Porque o objectivo destas iniciativas e destes vídeos é mesmo fazer despertar algumas mentes.

 

 

Em suma, o movimento faz parte do Laboratório on-off da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 e entre Maio e Outubro, surgirão várias peças de comunicação, em vários capítulos.



Para já, estão disponíveis dois capítulos. Primeiro adulterou o Hino Nacional, em que "A Portuguesa" arranca com a frase "Ireis pagar pobre povo", em vez do tradicional "Heróis do mar nobre povo". Foi lançado há 2 meses e tem o nome de "Portugal 1143-2012" (o Aviso).






O segundo capítulo (a Traição) tem duas semanas e não quer ser menos polémico: Afonso Henriques foi esfaqueado, pelas costas.






No futuro, teremos outro vídeo, em que Portugal foi a enterrar. Deixo-vos com a reportagem do GuimarãesDigital.

 

 

 

 

O que falta fazer para fazer despertar Portugal?

Autoria e outros dados (tags, etc)

12.04.12

Fotopedia

 

 

Diz que houve uma das minhas fotos de NYC foi seleccionada pelo Fotopedia para ser apresentada no Fotopedia Magazine dedicada a "Breast in Art", ou seja, em bom português, "Maminhas na Arte" (estava morto por escrever esta frase).

 

 

A foto foi tirada no Rockefeller Plaza em Nova Iorque e mostra a figura feminina da obra "Youth and Maiden" de Paul Manship (foto da figura masculina).

 

 

Esta referência do Fotopedia foi outro wake up call para a questão da fotografia. E não só. Também o Fotopedia poderá ser uma outra alternativa para o alojamento de fotos, numa abordagem diferente do Flickr ou do 500px, também eles diferentes entre si.

 

 

Ainda uma última nota, em relação ao Flickr. A conta expira no próximo dia 26 de Abril, o que significa que terei que resolver a questão da adesão à conta Pro do 500px, até dia 26.

Autoria e outros dados (tags, etc)






Creative Commons License CC | 2008-2014 iPhil