Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Por qualquer motivo, há uns dias, lembrei-me de pesquisar se Júlio Machado Vaz ainda fazia rádio. Recordo-me de ouvir religiosamente, o programa semanal que ele tinha na Rádio Nova, do Porto, que era possível ouvir em Lisboa.
Foi com algum alívio que descobri, que ele continua no activo, na sua melhor forma, na Antena 1 (e em podcast), apresentado por uma radialista de referência, a Inês Meneses, com o programa "O Amor é..." (versão diária e versão semanal). E não se impressionem pelo nome...no programa todas as temáticas são abordadas (é o exemplo do programa desta semana, que aborda o custo alto de viver da fama. Fala de Michael Jackson, Lance Armstrong, Oscar Pistorious, etc).
A rádio tem conseguido sobreviver e conviver com a Internet e com os novos meios. Mas tem pecado pela falta de programas de palavra. Felizmente há excepções. É o caso de Júlio Machado Vaz.

Foi há 19 anos, que partiu o melhor piloto de todos os tempos. Os números podem indicar outra coisa, até porque surgiram novos talentos. Mas para quem teve oportunidade de assistir aos grandes prémios de domingo à tarde, no final dos anos 80 e início dos anos 90, sabe do que falo.
Senna, talvez fosse até, muito mais do que simplesmente o melhor piloto de todos os tempos.
E se não viram o documentário referencido no vídeo, recomendo vivamente que o façam.

Um ano depois, Paul Miller, um dos principais editores do The Verge, conhecido site dedicado a cultura tech, cultura pop e como eles dizem, cultura cultura, dentro de poucas horas, vai regressar à net, depois de ter decidido, desligar-se totalmente da web, a partir do dia 1 de Maio de 2012.
Chegamos a 1 de Maio de 2013 e Paul Miller prepara-se para regressar e daqui a umas horas, o The Verge fará uma transmissão especial do seu podcast semanal, The Vergecast, para registar o regresso do seu editor à web e será também uma oportunidade de compreender, em primeira pessoa, como foi a experiência de viver em net durante 1 ano. Muitos duvidaram, mas ele conseguiu.
Estão curiosos com a experiência? Eu estou, porque durante semanas, afastei-me um pouco das redes sociais (da web é um pouco mais difícil) e a tarefa não foi nada fácil. Nem consigo imaginar como seria o afastamento completo, sobretudo nos dias de hoje.

É verdade que o Obama perdeu algum do brilho inicial, quando ganhou as eleições em 2008. A fasquia ficou muito alta, em parte pela expectativa que o próprio Barack Obama ajudou a criar.

De qualquer forma, o discurso da tomada de posse do segundo mandato, que só agora tive oportunidade de ver, é absolutamente exemplar e até especial. Apesar das recorrentes acusações de que o Presidente Obama é socialista, a verdade é que as suas políticas são de facto, mais viradas à esquerda, sobretudo em 5 áreas: armas, alterações climáticas, direitos dos gays, lei da imigração e defesa dos programas sociais.
Mas isso não é necessariamente mau, embora os republicanos não achem o mesmo, os mesmos republicanos que ainda são a maioria no Congresso, têm dificultado a tarefa de Obama.
Tal como no primeiro mandato, não acredito que o Obama consiga cumprir a sua agenda, mas este discurso é obrigatório.

Muito do que fazemos, na nossa vida, é feito com base numa plataforma de confiança. Por isso, quanto maior a confiança, maior a desilusão, quando esse elo é interrompido.
É essa a sensação que tenho, em relação ao caso de doping do Lance Armstrong. De resto, em meu redor, sinto que todos sentem mais ou menos o mesmo.
Durante a madrugada de hoje, será transmitida a entrevista com a Oprah, onde Lance Armstrong confirmou as acusações de doping. As consequências para o atleta são mais do que evidentes. Todos os resultados conseguidos ao longo da carreira ficarão em causa. Mas falamos de Lance Armstrong e falar de Lance Armstrong é falar de ciclismo e é impossível não associar este caso, a todos os outros casos que surgiram nos últimos anos e que foram tirando credibilidade à modalidade. Considerando o peso que Armstrong apresenta...ou melhor, apresentava na modalidade, é natural que a própria modalidade esteja em causa.
Por muito que se tente defender a modalidade (e atenção, gosto muito de acompanhar o ciclismo, nomeadamente as principais provas, como o Tour), nos últimos anos, a constante desconfiança tem destruído a notoriedade deste desporto. Os comentadores, treinadores e restantes ciclistas têm insistido que se trata de uma modalidade "limpa". O caso de Lance Armstrong e especialmente este caso, coloca absolutamente tudo em causa...tudo.
Após a confissão do Lance Armstrong, estou muito curioso para verificar o que acontece ao ciclismo. Amanhã, quando acordar, não irei obviamente acordar com a notícia que o ciclismo acabou. Mas certamente, que não será o mesmo desporto e muito poderá mudar nos próximos anos.
O Lance Armstrong realmente tinha razão: "It's not about the bike!". Fica por responder..."Então...porquê?"

Confesso que este início de 2013 tem sido particularmente desinteressante...não sei explicar muito bem, ou se calhar até sei e foi preciso esperar pelo dia 4, para ler um texto com o qual me identifico. Descobri-o no blog "O Fio de Ariadne" (que recomendo, naturalmente) e é um retrato muito próximo (com as devidas diferenças, claro e numa perspectiva masculina) do que me vai na alma.
E com a devida autorização, aqui está a versão completa desse post:
Ficar a conta gotas
Pergunto-me vezes sem conta se realmente é só isto a que tenho direito.
Histórias de amor a conta gotas.
Pessoas que aparecem, que eu amo e que depois se vão embora.
Aconteceu vezes demais. antes iam só para casa, agora vão para outros países.
e amanhã é o sábado. o dia que eu mais adorava na semana. e agora é o dia que mais odeio. porque é ao sábado que percebo como estou só.
Invariavelmente a rotina é a mesma: pequeno almoço na pastelaria ao pé de casa, depois um pequeno passeio até à praia, talvez para escrever ou tirar umas fotos, caso o tempo o permita. Almoço mais tarde e o resto do dia é passado talvez a não fazer nada. O que é certo, é que este cenário parece idílico. mas não é. experimentem fazer isto durante 7 anos seguidos sem nunca ter tido ninguém com quem partilhar nada.pelo menos alguém que fique. mesmo.
Apercebi-me deste padrão agora. porque se tornou demasiado óbvio. as histórias são tão parecidas e os episódios tão similares que qualquer pessoa se interrogaria se não estaria a viver um filme de cinema.
...Ele aparece sempre galante e discreto. eu resisto sempre. nunca acredito. tenho sempre medo. o tempo que ele leva a insistir para que lhe dê atenção, momento esse em que me faço de desentendida, é a medida necessária para eu me apaixonar.
Chego a pensar que me apaixono porque a pessoa me deu atenção e me ouviu. chego a pensar que é só isso mesmo. é a falta de atenção que me ilude e me leva a entregar.
depois ele vai-se afastando, lentamente, cheio de palavras doces...até um dia que se vai embora de vôo marcado.
Já passei por isto vezes demais.
esperei já tempo demais. houve a altura em que pensei: porquê esperar por uma pessoa, se existem tantas no mundo?...depressa descobri que não há assim tantas pessoas no mundo para mim.
Deus disse que iria fazer muitos e bons maridos e iria espalhá-los pelos quatro cantos da terra...e depois fez a terra redonda....
já me cansei de histórias de amor. e quando alguém se cansa de histórias de amor, é a mesma coisa que estar morto. para todos os efeitos então, estou morta. pelo menos assim o quero crer.
Porque afinal o príncipe não vai chegar e dizer "fica comigo", o príncipe chega e diz "gosto imenso de ti, mas daqui a uma semana vou-me embora, por isso aproveita enquanto podes." Isto é lá alguma coisa que uma mulher queira ouvir?...alguém quer ouvir da boca da pessoa por quem está apaixonada, que a pessoa de quem gosta não faz tenção nenhuma de continuar a gostar dela nem de estar ao lado dela? alguém merece ouvir isto? Eu já não tenho 15 anos e já tive a minha conta de desastres. Já sou grande e era suposto as coisas agora correrem bem. pois se aos outros correm, porque continuam os desastres a ocorrer na minha vida?...
Bom, como se não fosse o suficiente, ou é isto, ou é lidar com todos os outros animais disfarçados de homens, e homens disfarçados de seres humanos.
Uma vez, duas vezes, três vezes...pontapé e murro no estômago e canelada nas pernas...tudo assim de repente, tudo de seguida...ainda não me levantei de uma tareia e já estou a levar outra...para no fim de tudo, ficar com feridas para lamber e lágrimas para chorar. só e apenas.
e, a cada vez, a sensação de que ninguém nunca vai querer ficar.
são despedidas a mais, aeroportos e aviões demais em espaços de tempo muito curtos... tenho muita experiência em coisas dolorosas e sofridas, tenho poucos bons momentos, não tenho perícia na felicidade, sou demasiado proficiente no drama...e isso resulta em vezes demais em que percebi na pele que nunca sou motivo suficiente para alguém mudar os seus planos. que nunca sou suficientemente alguma coisa para alguém me querer a mim e só a mim. vezes por demais que senti o coração ser apertado e triste a dizer que uma vez mais não valeu a pena abrir-se, porque uma vez mais, a porta foi aberta, mas ninguém afinal decidiu entrar.
É excessivo. faz-me lembrar os drogados que passam a vida em reabilitações e reincidências. sou um caso perdido e sinto-me gozada e sem vontade de dar nada a ninguém. tenho vontade de fechar as portas de vez.

Há cerca de 24 horas, tive oportunidade de conhecer, um espaço que se tornou imediatamente especial e mais do que um bar, tornou-se numa sala de estar. Na realidade, "venderam" como o "Café Sala de Estar"...na realidade chama-se Wanli e está localizado na Calçada do Marquês de Abrantes, 82 em Lisboa, na zona de Santos.
Antes de abrir o Wanli, o sr. Carlos Fagulha, agora com 58 anos, era antiquário. E isso nota-se logo ao entrar neste espaço pré-pombalino da Calçada Marquês de Abrantes que já albergou uma cavalariça: da mobília, toda em segunda (ou terceira ou quarta) mão, às receitas tradicionais do século XVIII para a comida que é servida, é tudo antigo. O resultado é que, apesar de ter aberto há pouco tempo (final de 2010), o Wanli parece vivido, cheio de histórias para contar, mais do que as que aconteceram efectivamente.
Uma das atracções do espaço é o poço, com água e nascente - quem quiser pode deitar moedas, para ver se concretiza um desejo. O nome Wanli deve-se à exibição dum prato de porcelana chinesa deste período da Dinastia Ming. E também pela proximidade da Embaixada de França, antigo palácio dos Marqueses de Abrantes, que tem o tecto do salão nobre decorado com pratos Wanli. Mas o espaço, com referi, é sobretudo marcado pelo espólio que preenche o espaço e do qual, deixo um mosaico de fotos. Algum foi herdado...outros são aquisições mais recentes, de pequenas grandes preciosidades com os carros vintage da Schuco.

Mas depois...há ainda o senhor Carlos Fagulha e durante um longa noite (que até pareceu muito curta), nós acabámos por beber todas aquelas palavras, que ilustravam uma verdadeira história de vida, da qual só tivemos acesso a uma pequena, uma ínfima parte de algo muito maior. Como referi, a dada altura, parecia que estava perante um personagem saído do Mad Men, numa mistura entre o Dr. House (sem a bengala) e o Hank Moody. Estamos, pertante um contador de histórias nato e quantas vezes, a minha cabeça não tomou a posição de realizador, argumentista ou director de fotografia de um qualquer documentário ou filme sobre o Sr. Carlos.
Foi uma noite inspiradora, daquelas em que nos deitamos a pensar no que precisamos de fazer no dia seguinte, para começar a cumprir os sonhos criados durante a noite anterior.
Ao sr. Carlos, o meu muito obrigado. Realmente, sabe receber na sua "sala de estar".

Nos dias que correm, é complicado ou tornou-se menos importante descobrir novos blogs. Excepcionalmente, surge mais um. Sempre tive um fascínio por viagens e por descobrir novos mundos, mesmo que seja através de outros olhos.
Foi o caso do blog da Rita da Nova, o "Rita à volta do Mundo" (e ainda por cima, no Sapo) e o blog receberá novos textos, no âmbito do inter-rail realizado pela Rita entre Outubro e Novembro e que tivemos oportunidade de acampanhar através do Instagram. Considerando os textos já publicados sobre Veneza, Paris, Praga, Budapeste e Sarajevo, então os próximos textos prometem bastante, até pelas emoções que transparecem através das palavras da Rita.
Sem dúvida, um blog para acompanhar e subscrever no vosso leitor de feeds.

Todas as semanas, chega a informação que alguém que conheço está de malas feitas para mudar de vida e de país. Só este fim de semana, soube de 3 pessoas...duas vão para Barcelona e outra vai para Paris.
Portanto, continua a bom ritmo a saída de portugueses para o estrangeiro numa nova vaga de emigração. Luanda, Dublin, Londres, Paris ou Barcelona são alguns dos locais que estão a receber portugueses que conheço. Mas esta nova vaga, não se fica só por estas cidades.
Quem leu a edição da semana passada da Sábado, terá verificado que os países com um regime fiscal baixo ou inexistente, são alguns dos destinos preferidos. Falamos de Andorra, Mónaco, Brunei, Bahrain, Kuwait, Dubai, Qatar, Omã, Maldivas, Bahamas, Vanuatu, Nauru, Bermudas ou Ilhas Caimão. Mas quem leu esse artigo terá reparado que nos casos analisados, a grande maioria não tinha vencimentos muito acima do que tinham em Portugal. Estamos a falar de valores a rondar os 1500, 2000 Euros. Estarão então a perguntar...porquê então mudar de país ou que vantagens têm? Obviamente, os impostos que não pagam e o vencimento bruto é muito próximo do vencimento líquido, mas também a qualidade de vida que encontram nesses países.
A título de curiosidade, deixo-vos a análise feita pela revista Sábado, dos países que beneficiam de um sistema fiscal baixo.

Pessoalmente, apesar de compreender e apoiar, custa-me ver amigos a sair do país. Não sei quais serão as consequências a média e longo prazo para o país e para os portugueses. Mas, Portugal através do seu Governo, não está a dar o melhor contributo. E os portugueses, tal como no passado, "fazem-se à estrada" para descobrir novas vias para ir ao encontro da sua felicidade.