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Não posso dizer que sou fã do conceito (até porque só um louco levaria equipamento fotográfico para um evento do genéro). Mas parece que após as festas temáticas dos anos 80 e 90, da espuma ou da roupa branca, agora temos a importação de um conceito que tem origem na Índia.
Sim, estou a falar do Holi, também conhecido como Festival das Cores. Tem origem na tradição hindu, para festejar a chegada da primavera.
No entanto, o ocidente parece querer agarrar esta tradição ou as pessoas estão mesmo com necessidade de fazer coisas fora da caixa.
Uma coisa é certa...a ver pelo Facebook, parece ser um conceito que atrai as miúdas...giras. ;)
E para ajudar, para além do evento HoliOne, vamos ter também a ColorRun, para o pessoal que gosta de correr.

Na manhã de hoje, três notícias passaram-me pelos ecrãs e por algum motivo, achei que havia uma relação entre elas e podia ainda acrescentar uma outra, que fazia referência aos números sobre as salas de cinema, no último fim de semana, sendo o pior dos últimos dois anos.
Mas vamos ao que importa.
Jorge Jorge Letria, presidente da SPA, revelou à TSF, que "Há autores consagrados que não conseguem editar livros", no mesmo dia em que um dos elementos da banda The Curimakers, confessa quanto recebeu da SPA, a quantia de 0,01€ relativa aos direito de autor do ano de 2012.
De resto, a questão dos valores relativos aos direitos de autor, não são uma novidade no blog. Em Março de 2012, já tive oportunidade de publicar alguns dos valores que são pagos a um escritor.
Portanto, quando a SPA revela que os autores não conseguem editar, também é preciso compreender, se não o fazem, é porque não vendem ou porque não recebem o valor que deveriam receber. Na mesma notícia, é referido que, as editoras portuguesas cortaram no número de edições e na quantidade de exemplares impressos de cada obra e que vai ser solicitado o apoio do Estado (estou curioso para saber, em que sentido vão pedir a ajuda do Estado).
Mas os dados revelados pela SPA, não esclarecem, no que diz respeito às vendas de e-books. Acredito que haja uma redução no mercado. Mas também acredito que alguma dessa redução, é compensada pela compra de e-books, que não seguem exactamente as mesmas regras dos livros em papel.
Contudo, não deixa de ser irónico que a SPA, que não cumpre o seu papel, venha queixar-se que os autores não conseguem fazer chegar as suas obras ao público, quando, nunca como agora, esse acesso foi democratizado e qualquer um de nós, tem ferramentas que permitem publicar facilmente uma obra. Obviamente, que os novos circuitos funcionam à margem da SPA. Escuso de dizer que a curto prazo o papel da SPA deixa de fazer sentido e serão os seus sócios a perceber isso.
Para finalizar e fazendo uma ponte com as novas formas de publicação de obras, não posso deixar de destacar a entrevista do filósofo Anselm Jappe ao jornal Público, em que é colocada a questão: "O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho?"
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"Mas o sistema é um "castelo de cartas que começa a perder peças". E é tempo de repensar o conceito de trabalho" |
Podemos concordar ou não, mas não podemos ficar indiferentes com as palavras de Jappe. O paradigma está a mudar. Temos novas formas de obter o nosso rendimento. Há evolução tecnológica. Há novas necessidades. Há novos recursos para explorar. Há novos modelos de negócio para criar. É preciso reconhecer essas alterações e dar o passo em frente (apesar da constante pressão de certo lobbies).
Repito, entidades como a SPA, estão ultrapassadas. Fazem parte de um século que já ficou para trás há 13 anos. O mesmo se aplica à Europa, que está agarrada a uma União, que de união tem muito pouco. Dizem que a história se repete...e se calhar repete-se mesmo, porque temos novamente uma Alemanha, a reconhecer que os países do Euro terão que ceder a sua soberania. Pergunto, se a Alemanha também estará disposta a fazê-lo.
Uma coisa é garantida...o mundo começou a mudar em 2001, numa certa manhã de Setembro...13 anos depois, ainda não percebemos que mudança foi essa e para onde caminhamos.
Como diria, José Hermano Saraiva, vamos continuar a ter "noite de luar, a Serra de Sintra e o Tejo a correr para o mar". Pessoalmente, gostava de ter esta visão optimista, mas olhando o mundo que nos rodeia, fica um pouco complicado.

É verdade que o Obama perdeu algum do brilho inicial, quando ganhou as eleições em 2008. A fasquia ficou muito alta, em parte pela expectativa que o próprio Barack Obama ajudou a criar.

De qualquer forma, o discurso da tomada de posse do segundo mandato, que só agora tive oportunidade de ver, é absolutamente exemplar e até especial. Apesar das recorrentes acusações de que o Presidente Obama é socialista, a verdade é que as suas políticas são de facto, mais viradas à esquerda, sobretudo em 5 áreas: armas, alterações climáticas, direitos dos gays, lei da imigração e defesa dos programas sociais.
Mas isso não é necessariamente mau, embora os republicanos não achem o mesmo, os mesmos republicanos que ainda são a maioria no Congresso, têm dificultado a tarefa de Obama.
Tal como no primeiro mandato, não acredito que o Obama consiga cumprir a sua agenda, mas este discurso é obrigatório.

Muito do que fazemos, na nossa vida, é feito com base numa plataforma de confiança. Por isso, quanto maior a confiança, maior a desilusão, quando esse elo é interrompido.
É essa a sensação que tenho, em relação ao caso de doping do Lance Armstrong. De resto, em meu redor, sinto que todos sentem mais ou menos o mesmo.
Durante a madrugada de hoje, será transmitida a entrevista com a Oprah, onde Lance Armstrong confirmou as acusações de doping. As consequências para o atleta são mais do que evidentes. Todos os resultados conseguidos ao longo da carreira ficarão em causa. Mas falamos de Lance Armstrong e falar de Lance Armstrong é falar de ciclismo e é impossível não associar este caso, a todos os outros casos que surgiram nos últimos anos e que foram tirando credibilidade à modalidade. Considerando o peso que Armstrong apresenta...ou melhor, apresentava na modalidade, é natural que a própria modalidade esteja em causa.
Por muito que se tente defender a modalidade (e atenção, gosto muito de acompanhar o ciclismo, nomeadamente as principais provas, como o Tour), nos últimos anos, a constante desconfiança tem destruído a notoriedade deste desporto. Os comentadores, treinadores e restantes ciclistas têm insistido que se trata de uma modalidade "limpa". O caso de Lance Armstrong e especialmente este caso, coloca absolutamente tudo em causa...tudo.
Após a confissão do Lance Armstrong, estou muito curioso para verificar o que acontece ao ciclismo. Amanhã, quando acordar, não irei obviamente acordar com a notícia que o ciclismo acabou. Mas certamente, que não será o mesmo desporto e muito poderá mudar nos próximos anos.
O Lance Armstrong realmente tinha razão: "It's not about the bike!". Fica por responder..."Então...porquê?"

Durante uma grande parte do século XX, tivemos o Estado Novo. Agora, parece que o nosso Governo está absolutamente empenhado em criar um Novo Estado.
Passos Coelho já lhe chamou "Refundação do Estado", sem conseguir sequer explicar no que consistia esse conceito. Mais tarde, surge o famoso relatório do FMI, que parecia ser um guia para essa refundação, em que se tentava repensar as funções do Estado, sobretudo o papel social do Estado.
Hoje, começava a conferência "Pensar o Futuro - um Estado para a Sociedade", que foi iniciado pela ex-dirigente do PSD, Sofia Galvão. Na sua intervenção inicial, estabeleceu como "ponto prévio" da conferência a necessidade de "criar condições para um debate aberto, livre, profundo, participado e construtivo".
Até aqui tudo bem. A questão é que a mesma conferência está absolutamente condicionada, sobretudo na sua cobertura jornalistíca e aquilo que pode ou não ser dito, para lá da própria conferência.
Só para se ter uma ideia, não poderá haver registo de imagem e som, para além da sessão de abertura e de encerramento, sendo que, os jornalistas podem manter-se na sala, mas não poderão ser publicadas citações, sem a expressa autorização dos citados. No final do dia poderá ser enviado um "clip de um minuto" produzido pelo Portal do Governo, com alguns excertos dos painéis de debate.
Segundo a organização estas condições foram aceites por todos e pela comunicação social. A verdade é que a grande maioria dos jornalistas presentes no evento, entre os quais a Agência Lusa, a Antena 1 e a TSF, e o jornal Público, decidiu não aceitar aquelas restrições, optando e muito bem, por sair da sala.
Não é de agora, que tenho a impressão que temos uma comunicação social com pouca qualidade e com pouca força junto do poder. Espero, sinceramente, que esta situação, se torne num click para uma mudança de atitude na comunicação social, porque é a própria democracia que está em causa.
No entanto, quando terminava este post, descobri que o jornalista da TVI, Filipe Caetano, está a tweetar directamente do evento e com a hashtag #confportasfechadas, ignorando e bem, as regras definidas inicialmente.

Podia falar da Pepa e da campanha falhada da Samsung. Podia falar da Sumol e das alternativas ao sumo de laranja. Podia falar do relatório do FMI e da marioneta em que se tornou o governo português, em especial o Carlos Moedas, que veio elogiar o documento. Mas vou falar de algo mais...como direi...relevante.
De forma recorrente, sempre que há um tiroteio ou massacre nos EUA, a sociedade civil e os media voltam a discutir a lei da posse de armas (que consta da 2ª Emenda da Constituição). O assunto torna-se mainstream durante alguns dias, até novo tiroteio e assim sucessivamente.
A questão é que a forma dramática como morreram crianças numa escola em Newtown, lançou verdadeiramente a discussão e uma das principais faces nos media foi o jornalista inglês Piers Morgan, que podem ver diariamente na CNN. Sendo um antigo director de um tablóide inglês, é fácil vê-lo a oferecer o corpo às balas. Já o tinha feito no caso Obamacare (em que tentava mostrar como bom exemplo, o sistema nacional de saúde britânico) e depois do tiroteio em Newtown, decidiu tomar partido a favor de um maior controlo na posse de armas.
O resultado foi a criação de uma petição para a deportar o "cidadão inglês" Piers Morgan, porque alegadamente emitiu uma opinião contra a 2ª Emenda da Constituição Americana.
Sinceramente, não esperava ver este tipo de reacção em pleno sec. XXI, nomeadamente nos EUA. No meu tempo, isto seria considerado xenófobia, atendado à liberdade de expressão...é só escolher. O autor da petição foi o jornalista ou pseudo-jornalista Alex Jones e ele foi convidado do Piers Morgan, para uma amigável confrontação em directo, na CNN. Vejam a primeira parte desse programa e tirem as vossas conclusões (sinceramente, não consegui ver mais do que a primeira parte).
A reacção contra Piers Morgan foi tão agressiva que a Casa Branca veio confirmar que ninguém será deportado e antes de olharem para a 2ª Emenda, é preciso garantir a 1ª Emenda, a que faz referência à Liberdade de Expressão e de Imprensa.
De resto, o próprio Presidente Obama publicou uma resposta em vídeo.
Mas vamos voltar à 2ª Emenda e vamos tentar perceber o que está em causa. Como sabemos, nos EUA está enraizada a cultura das armas e a sua posse. Felizmente, como diz o Presidente Obama, a maior parte das pessoas é responsável. Mas há ainda uma percentagem que representa um problema. E a ver pela frequência de casos (ainda hoje, houve mais um tiroteio na Califórnia), o problema parece ser mesmo preocupante.
O grande problema da 2ª Emenda é a sua antiguidade e a margem que abre para a sua interpretação, uma vez que foi adoptada originalmente a 15 de Dezembro de 1791. Em 2008 e 2010, tentou-se esclarecer objectivamente qual era a interpretação da 2ª Emenda...mas chegamos a 2012 e o resultado está à vista.
Há dezenas de anos, a Constituição norte-americana foi sujeita a alterações, por causa da famosa Lei Seca. Portanto, não estamos perante um documento absolutamente blindado a alterações. Os americanos gostam muito de recorrer às leis criadas pelos "founding fathers", mas a Constituição actual já não é a original e parece-me que estão reunidas todas as condições para repensar a 2ª Emenda ou pelo menos, que sejam criadas regras mais apertadas para a aquisição de armas.
Por outro lado, a ex-congressista Gabrielle Giffords, uma vítima do tiroteio no Arizona em Janeiro de 2011 e foi com agrado que vi a criação do movimento "Americans for Responsible Solutions". Também me parece que o Presidente Obama parece quer resolver o problema. Pelo menos, assim parece.
Pessoalmente, acho esta reacção contra o Piers Morgan exagerada e parece-me que existem todas as condições para limitar a posse de armas e simultaneamente, garantir o cumprimento da 2ª Emenda (embora eu preferisse a revisão da mesma).
No entanto, gostava de terminar num tom mais positivo...ou humorístico, perante tanto disparate...

Confesso que este início de 2013 tem sido particularmente desinteressante...não sei explicar muito bem, ou se calhar até sei e foi preciso esperar pelo dia 4, para ler um texto com o qual me identifico. Descobri-o no blog "O Fio de Ariadne" (que recomendo, naturalmente) e é um retrato muito próximo (com as devidas diferenças, claro e numa perspectiva masculina) do que me vai na alma.
E com a devida autorização, aqui está a versão completa desse post:
Ficar a conta gotas
Pergunto-me vezes sem conta se realmente é só isto a que tenho direito.
Histórias de amor a conta gotas.
Pessoas que aparecem, que eu amo e que depois se vão embora.
Aconteceu vezes demais. antes iam só para casa, agora vão para outros países.
e amanhã é o sábado. o dia que eu mais adorava na semana. e agora é o dia que mais odeio. porque é ao sábado que percebo como estou só.
Invariavelmente a rotina é a mesma: pequeno almoço na pastelaria ao pé de casa, depois um pequeno passeio até à praia, talvez para escrever ou tirar umas fotos, caso o tempo o permita. Almoço mais tarde e o resto do dia é passado talvez a não fazer nada. O que é certo, é que este cenário parece idílico. mas não é. experimentem fazer isto durante 7 anos seguidos sem nunca ter tido ninguém com quem partilhar nada.pelo menos alguém que fique. mesmo.
Apercebi-me deste padrão agora. porque se tornou demasiado óbvio. as histórias são tão parecidas e os episódios tão similares que qualquer pessoa se interrogaria se não estaria a viver um filme de cinema.
...Ele aparece sempre galante e discreto. eu resisto sempre. nunca acredito. tenho sempre medo. o tempo que ele leva a insistir para que lhe dê atenção, momento esse em que me faço de desentendida, é a medida necessária para eu me apaixonar.
Chego a pensar que me apaixono porque a pessoa me deu atenção e me ouviu. chego a pensar que é só isso mesmo. é a falta de atenção que me ilude e me leva a entregar.
depois ele vai-se afastando, lentamente, cheio de palavras doces...até um dia que se vai embora de vôo marcado.
Já passei por isto vezes demais.
esperei já tempo demais. houve a altura em que pensei: porquê esperar por uma pessoa, se existem tantas no mundo?...depressa descobri que não há assim tantas pessoas no mundo para mim.
Deus disse que iria fazer muitos e bons maridos e iria espalhá-los pelos quatro cantos da terra...e depois fez a terra redonda....
já me cansei de histórias de amor. e quando alguém se cansa de histórias de amor, é a mesma coisa que estar morto. para todos os efeitos então, estou morta. pelo menos assim o quero crer.
Porque afinal o príncipe não vai chegar e dizer "fica comigo", o príncipe chega e diz "gosto imenso de ti, mas daqui a uma semana vou-me embora, por isso aproveita enquanto podes." Isto é lá alguma coisa que uma mulher queira ouvir?...alguém quer ouvir da boca da pessoa por quem está apaixonada, que a pessoa de quem gosta não faz tenção nenhuma de continuar a gostar dela nem de estar ao lado dela? alguém merece ouvir isto? Eu já não tenho 15 anos e já tive a minha conta de desastres. Já sou grande e era suposto as coisas agora correrem bem. pois se aos outros correm, porque continuam os desastres a ocorrer na minha vida?...
Bom, como se não fosse o suficiente, ou é isto, ou é lidar com todos os outros animais disfarçados de homens, e homens disfarçados de seres humanos.
Uma vez, duas vezes, três vezes...pontapé e murro no estômago e canelada nas pernas...tudo assim de repente, tudo de seguida...ainda não me levantei de uma tareia e já estou a levar outra...para no fim de tudo, ficar com feridas para lamber e lágrimas para chorar. só e apenas.
e, a cada vez, a sensação de que ninguém nunca vai querer ficar.
são despedidas a mais, aeroportos e aviões demais em espaços de tempo muito curtos... tenho muita experiência em coisas dolorosas e sofridas, tenho poucos bons momentos, não tenho perícia na felicidade, sou demasiado proficiente no drama...e isso resulta em vezes demais em que percebi na pele que nunca sou motivo suficiente para alguém mudar os seus planos. que nunca sou suficientemente alguma coisa para alguém me querer a mim e só a mim. vezes por demais que senti o coração ser apertado e triste a dizer que uma vez mais não valeu a pena abrir-se, porque uma vez mais, a porta foi aberta, mas ninguém afinal decidiu entrar.
É excessivo. faz-me lembrar os drogados que passam a vida em reabilitações e reincidências. sou um caso perdido e sinto-me gozada e sem vontade de dar nada a ninguém. tenho vontade de fechar as portas de vez.

Via Google Zeitgeist 2012 (para Portugal).
Já agora, também pode consultar as reviews de 2012 do Twitter e Facebook.
Actualização: Também os Blogs do Sapo estão a fazer a seu balanço de 2012.

Depois do esclarecimento que tentei dar em relação à liberalização do mercado da electricidade e do gás, agora vou falar de outra questão que me era desconhecida e felizmente não me afecta directamente, mas pode interessar a muita gente.
Estou a falar da devolução de cauções dos serviços de água, electricidade e gás. Alegadamente, foi criado um fundo com dos valores entregues até 1999, relativos às cauções pagas na contratação de serviços de água, electricidade e gás. Esse fundo, tem cerca de 19 milhões de euros e esse valor foi entregue pelas empresas que prestam esses serviços, com o objectivo de devolver as cauções aos clientes.
Segundo, a reportagem da SIC, neste momento, apenas 31 mil euros foram devolvidos e aposto que o número vai aumentar consideravelmente a partir de hoje.
Apesar de esta possibilidade estar prevista na lei desde 2007, muitos consumidores ainda não exigiram a devolução das cauções dos seus contratos de água, eletricidade e gás. O prazo inicial foi prolongado até ao final de 2013.
Basta enviar um requerimento à Direção-Geral do Consumidor, para a morada Praça Duque de Saldanha, nº 31-3º, 1069-013 Lisboa (a DECO disponibiliza uma carta-tipo), ou para o e-mail dgc@dg.consumidor.pt. Se tiver mais do que um contrato, pode requerer a devolução das cauções na mesma carta. Identifique bem cada contrato, com número e titular.
No requerimento deverão constar as seguintes informações:
As cauções para acesso aos serviços de água, electricidade e gás são proibidas desde 1999. O decreto-lei que as proíbe foi publicado em 8 de Junho de 1999 e entrou em vigor 90 dias depois, em setembro de 1999. A partir desta última data, a cobrança de cauções está proibida. Mas também as cauções cobradas ilegalmente após essa data devem ser devolvidas. Curiosamente, a Climaespaço, empresa responsável pelos serviços de climatização na freguesia do Parque das Nações, continua a fazer cobrança de cauções. Mas isso é outro assunto.
Depois de enviar o pedido, os serviços possuem a informação necessária para saber se pagou e tem direito à restituição. Não tem de fazer prova. Mas só pode exigir a restituição se o contrato não estiver em nome de uma empresa ou de um profissional.
No meu caso, tentei fazer o pedido para Gás e Água (para os meus pais) e no primeiro, pedem obrigatoriamente um comprovativo de pagamento da caução. O pedido foi feito através do formulário apresentado no site consumidor.pt. No entanto, irei fazer o pedido através do e-mail e remeterei a informação de que já não disponho desse comprovativo e verei o que acontece, uma vez que a Direcção-Geral do Consumidor terá acesso à informação, se haverá lugar ou não à devolução de cauções.
Veremos como corre o processo.

Vamos lá, mais uma vez, tentar fazer algum serviço público, uma vez que a informação disponibilizada, aparentemente é confusa e pouco esclarecedora. E pela rápida pesquisa que fiz, parece-me que a população e o consumidor em geral está nem aí para este processo e as tarifas transitórias podem agravar ligeiramente o valor da factura de luz e gás.
Como sabemos, está a decorrer o processo de Liberalização do mercado da Electricidade e Gás em Portugal. O ponto alto desta discussão aconteceu na famosa campanha da EDP e do Continente. Em suma, a oferta, para além do desconto na electricidade, garantia descontos no Continente. Mas esta promoção tinha um senão...se é que podemos chamar um senão. Quem aderisse, tinha que anular o actual contrato com a EDP Universal e teria que realizar um novo contrato com a EDP Comercial, já no mercado liberalizado.
Numa fase inicial, isto irritou os consumidores. Confesso que, também estranhei o procedimento. Mas, foi desta forma, que descobrimos que a transição do mercado liberalizado, podia ser outra dor de cabeça, como a TDT.
Vamos então, tentar explicar de forma simples, espero, o que nos espera em termos de mercado liberalizado energético e tomando como exemplo, o mercado de maior dimensão, o mercado doméstico com potência contratada abaixo dos 10,35 kVA.
- A transição para o mercado liberalizado e novo operador energético é COMPLETAMENTE GRATUITO. Se alguém vos tentar "vender" o processo de transição, contactem directamente um operador.
- A tarifas reguladas terminam a 31 de Dezembro de 2012. De qualquer forma, esta data não é a data limite para mudarmos de operador energético. É simplesmente uma data de referência e transição do mercado regulado para o mercado completamente liberalizado.
- De qualquer forma, os consumidores, neste momento, seja antes ou depois de 31 de Dezembro, podem procurar que ofertas existem no mercado e perceber se devem ou não mudar já.
- Há um período transitório até ao final de 2015 para realizar a mudança de operador. Se optar por não escolher um novo fornecedor ou operador de electricidade ou gás, até ao final de 2015 continuará, durante esse período transitório, a ser abastecido pelo seu operador actual com uma tarifa transitória, revista e fixada trimestralmente pela ERSE.
Para vos ajudar a escolher o novo operador, a ERSE e a DECO disponibilizam simuladores para compreenderem qual é o operador que vos permite poupar um pouco mais.
No entanto, nesta altura, deve-se estar a questionar, que operadores estão disponíveis neste momento no mercado português. Aqui fica a lista completa:
Escolhido o novo operador, é preciso ter em atenção as cláusulas do contrato que é assinado, uma vez que a DECO detectou que havia contratos que incluiam uma cláusula que blindava a ligação do cliente ao serviço contratado, isto é, se o cliente encontrasse um serviço mais vantajoso, só podia rescindir o contrato, após pagamento de uma indemnização de um valor elevado.
Outra ponto, para se ter em atenção, são os apoios sociais que são disponibilizados por estas empresas. É preciso ter em conta, que essas vantagens se são manter no mercado liberalizado, para todos os clientes e consumidores economicamente mais vulneráveis.
Os clientes e consumidores que podem solicitar e ter acesso às Tarifas Sociais e/ou do Apoio Social Extraordinário, devem ser beneficiários dos seguintes apoios sociais:
- Complemento Social para Idosos
- Rendimento Social de Inserção
- Subsídio Social de Desemprego
- 1º Escalão do Abono de Família
- Pensão Social de Invalidez
Todos os clientes que possam usufruir das Tarifas Sociais, podem e devem fazê-lo junto dos operadores energéticos e terão acesso a um desconto médio na ordem dos 15%.
No fundo, depois desta mini-investigação fica claramente a ideia que os consumidores terão todo o tempo do mundo para se adaptar e escolher o novo operador energético e a data de 31 de Dezembro não terá qualquer tipo de impacto. Ou seja, podemos tranquilamente, olhar para os diversos operadores e perceber qual é o melhor momento para realizar a mudança, que será sempre obrigatória e reafirmo, gratuita.
Fica também a ideia que esta alteração do mercado, pode e deve ser uma forma do mercado energético ter um momento de ruptura, sobretudo do lado dos consumidores, uma vez que é a oportunidade dos consumidores olharem para a factura, para a gestão energético e compreender que a poupança na factura mensal, não é só uma poupança no valor que pagam pela energia, mas também passa para uma alteração de comportamentos e na sustentabilidade do nosso sistema energético.
Será que não podemos baixar a potência contratada? Será que não temos demasiado equipamentos ligados em stand-by, havendo forma eficaz de os desligar e não afectar a sua utilização? Será que não devemos investir nas novas lâmpadas LED?
Acredito, que o somatório de todas estas acções podem afectar a nossa eficácia energética, mas também a poupança que fazemos todos os meses, sendo certo, que o ano que está prestes a começar será muito complicado.
Actualização: Entretanto, esqueci-me de referir no post, que podem assistir ao "Sociedade Civil" que é transmitido na RTP2 e que no passado dia 29 de Novembro, dedicou o programa à questão da Liberalização do mercado de electricidade e gás.